quinta-feira, 18 de maio de 2017

Ministro da Justiça é 'um bosta', disse Aécio em gravação

Aécio Neves e Josley Batista conversaram sobre tentativas de barrar a Operação Lava Jato e anistiar o caixa dois no Congresso

Aécio Neves
Ministro da Justiça é 'um bosta', disse Aécio em gravação
PUBLICADO EM 18/05/17 - 15h59
O site de notícias BuzzFeed Brasil publicou o diálogo entre Josley Batista, proprietário da JBS, e o senador afastado Aécio Neves (PSBD). Na conversa, eles falam sobre tentativas de barrar a Operação Lava Jato e anistiar o caixa dois no Congresso.
O site teve acesso ao diálogo transcrito na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, que afastou o ex-senador e decretou a prisão preventiva de Andrea Neves.
Confira na íntegra:
Aécio — Esses vazamentos, essa porra toda, é uma ilegalidade.
Joesley — Não vai parar com essa merda?
Aécio — Cara, nós tamos vendo (...) Primeiro temos dois caras frágeis pra caralho nessa história é o Eunício [Oliveira, presidente do Senado] e o Rodrigo [Maia, presidente da Câmara], o Rodrigo especialmente também, tinha que dar uma apertada nele que nós tamos vendo o texto (...) na terça-feira.
Joesley — Texto do quê?
Aécio — Não... São duas coisas, primeiro cortar o pra trás (...) de quem doa e de quem recebeu.
Joesley — E de quem recebeu.
Aécio — Tudo. Acabar com tudo esses crimes de falsidade ideológica, papapá, que é que na, na, na mão [dupla], texto pronto nãnã. O Eunício afirmando que tá com colhão pra votar, nós tamo (sic). Porque o negócio agora não dá para ser mais na surdina, tem que ser o seguinte: todo mundo assinar, o PSDB vai assinar, o PT vai assinar, o PMDB vai assinar, tá montada. A ideia é votar na... Porque o Rodrigo devolveu aquela tal das Dez Medidas, a gente vai votar naquelas dez... Naquela merda das Dez Medidas toda essa porra. O que eu tô sentindo? Trabalhando nisso igual um louco.
Joesley — Lógico.
Aécio — O Rodrigo enquanto não chega nele essa merda direto, né?
Joesley — Todo mundo fica com essa. Não...
Aécio — E, meio de lado, não, meio de leve, meio de raspão, né, não vou morrer. O cara, cê tinha que mandar um, um, cê tem ajudado esses caras pra caralho, tinha que mandar um recado pro Rodrigo, alguém seu, tem que votar essa merda de qualquer maneira, assustar um pouco, eu tô assustando ele, entendeu? Se falar coisa sua aí... forte. Não que isso? Resolvido isso tem que entrar no abuso de autoridade... O que esse Congresso tem que fazer. Agora tá uma zona por quê? O Eunício não é o Renan.
Joesley — Já andaram batendo no Eunício aí, né? Já andaram batendo nas coisas do Eunício, negócio da empresa dele, não sei o quê.
Aécio — Ontem até... Eu voltei com o Michel ontem, só eu e o Michel, pra saber também se o cara vai bancar, entendeu? Diz que banca, porque tem que sancionar essa merda, imagina bota cara.
Joesley — E aí ele chega lá e amarela.
Aécio — Aí o povo vai pra rua e ele amarela. Apesar que a turma no torno dele, o Moreira [Franco], esse povo, o próprio [Eliseu] Padilha não vai deixar escapulir. Então chegando finalmente a porra do texto, tá na mão do Eunício.
(...)
Ministro da Justiça é "um bosta de um caralho", diz Aécio.
Joesley — Esse é bom?
Aécio — Tá na cadeira (...). O ministro é um bosta de um caralho, que não dá um alô, peba, está passando mal de saúde pede pra sair. Michel tá doido. Veio só eu e ele ontem de São Paulo, mandou um cara lá no Osmar Serraglio, porque ele errou de novo de nomear essa porra desse (...). Porque aí mexia na PF. O que que vai acontecer agora? Vai vim um inquérito de uma porrada de gente, caralho, eles são tão bunda mole que eles não (têm) o cara que vai distribuir os inquéritos para o delegado. Você tem lá cem, sei lá, 2.000 delegados da Polícia Federal. Você tem que escolher dez caras, né?, do Moreira, que interessa a ele vai pro João.
Joesley — Pro João.
Aécio — É. O Aécio vai pro Zé (...)
[Vozes intercaladas]
Aécio — Tem que tirar esse cara.
Joesley — É, pô. Esse cara já era. Tá doido.
Aécio — E o motivo igual a esse?
Joesley — Claro. Criou o clima.
Aécio — É ele próprio já estava até preparado para sair.
Joesley — Claro. Criou o clima.

Entenda o caso
Nessa quarta-feira (17), foi revelado pelo jornal "O Globo" que o dono da empresa JBS, Joesley Batista, gravou declarações comprometedoras do presidente Michel Temer (PMDB) e do senador Aécio Neves (PSDB) durante conversas informais. Batista, que já possui um acordo de delação premiada com a Justiça Federal, levou as gravações ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que fossem homologadas.
Nestas conversas, o presidente teria sugerido que se mantivesse pagamento de mesada ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e ao doleiro Lúcio Funaro para que estes ficassem em silêncio. Já Aécio Neves teria pedido R$ 2 milhões para ajudar a pagar suas despesas com a defesa na Operação Lava Jato.
Devido a isso, foi deflagrada, na manhã de hoje, a operação Patmos, que prendeu a irmã do senador, Andrea Neves e outras duas pessoas após ser expedido mandados de prisão preventiva pelo ministro do Superior Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, relator dos processos ligados à Operação Lava Jato.Entenda o caso:

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Maiores do Sul de Minas voltam a apresentar saldo negativo no Caged

Conforme dados de outubro, região ainda demite, mas em ritmo menor.

Saldo nacional é de fechamento de 74,7 mil vagas e o da região, 166.
Do G1 Sul de Minas
As maiores cidades do Sul de Minas voltaram a apresentar saldo negativo de geração de empregos conforme os dados de outubro, divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, nesta quinta-feira (24). Se no Brasil, o saldo negativo ficou em 74,7 mil postos de trabalho durante o mês, o acumulado das 10 maiores cidades da região apresentou saldo negativo de -166.
Entre os municípios, o que apresentou pior resultado foi Três Corações (MG), com saldo negativo de -96 postos de trabalho durante o mês de outubro. Na cidade, o setor que mais contribuiu para o fechamento de vagas foi a agropecuária: -121. Já o setor de construção civil apresentou saldo positivo de 11 vagas na cidade. Varginha (-84), Pouso Alegre (-59) e Três Pontas (-46) também fecharam o mês de outubro com saldo negativo.
Já Alfenas foi o município entre as 10 maiores com o melhor saldo de geração de empregos em outubro. Ao todo, foram geradas 119 vagas, principalmente por causa do comércio, responsável por 89 novas vagas nesse mês. O setor de serviços também teve bom desempenho e gerou 63 novos postos de trabalho.

Durante o mês de outubro, os setores de serviços e comércio, apresentaram os melhores resultados nas 10 maiores cidades da região: 397 e 236 novas vagas respectivamente. Já a indústria (-292) e a agropecuária (-497) foram os setores que apresentaram os piores resultados no acumulado.
Ainda demitindo, mas em ritmo menor
Os novos números do Caged de outubro mostram que os setores da economia regional ainda estão demitindo, mas em um menor ritmo. Se nos últimos 12 meses o saldo das 10 maiores cidades do Sul de Minas foi de fechamento de 5.226 vagas, durante todo o ano de 2016, o saldo é de fechamento de 318 vagas.
De janeiro até outubro, o setor de serviços apresenta o melhor saldo, com geração de 1.309 empregos. Já o comércio é que apresenta o pior número: fechamento de 1.065 vagas. Entre os municípios, Passos (MG) apresenta o melhor saldo de geração de empregos: 577 vagas, com destaque para a indústria (+317) e serviços (+241). Já Pouso Alegre tem o pior número entre as 10 cidades. O município fechou 552 vagas durante o ano, influenciado pela indústria (-327) e o comércio (-104).

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Por falta de pagamento de funcionários, áreas protegidas mineiras são fechadas

Por Sabrina Rodrigues

O Parque Estadual do Pau Furado é um dos parques que está fechado para visitação. Foto: Isabelle Damasceno.
O Parque Estadual do Pau Furado é um dos parques que está fechado para visitação. Foto: Isabelle Damasceno.

Atrasos nos salários dos guardas-parques fez o Instituto Estadual de Florestas (IEF), órgão ambiental de Minas responsável pelas áreas protegidas do estado, anunciar o fechamento de 12 unidades de conservação na última sexta-feira (28). Os terceirizados são contratados da empresa Cristal Serviços Especializados e estão há três meses sem pagamentos. Sem salário, o órgão ambiental fechou, provisoriamente, 12 unidades de conservação, sendo 8 Parques Estaduais, uma Área de Proteção Ambiental, 1 Monumento Natural e duas Estações Ecológicas.
A empresa Cristal está com a Certidão Negativa de Débitos vencida e com isso os salários não estão sendo pagos. A certidão é exigida para que ocorra o repasse de recursos do estado através da Secretaria de Estado de Meio-Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). Além do atraso, alguns funcionários estão com férias vencidas há dois anos e o FGTS dos trabalhadores não é recolhido desde o final de 2015.
No dia 25 de outubro, houve uma audiência para tratar do assunto no Ministério Público do Trabalho. A empresa não enviou representante. O que ficou temporariamente resolvido é que a Secretaria quitará os salários utilizando os créditos retidos que seriam transferidos para a Cristal. Entretanto, para que o pagamento ocorra, é preciso que a empresa envie uma planilha com as informações dos funcionários, algo que, segundo o IEF, ainda não aconteceu.
O fechamento das unidades tem reflexos econômicos trazendo prejuízo para as comunidades no entorno das unidades de conservação e para os comerciantes, mas também, um prejuízo no que diz respeito às atividades que envolvem a educação ambiental, interrompendo a visitação nos parques para a comunidade, turistas, atividades escolares e pesquisas que são desenvolvidas nesses ambientes.
No caso das Estações Ecológicas, por exemplo, embora essa categoria de unidade não prever visitação pública, elas recebem pesquisadores, o que demanda um atendimento que foi interrompido.
As unidades de conservação que estão com as atividades temporariamente suspensas são: Parque Estadual do Pau Furado (Uberlândia), Parque Estadual Lapa Grande (Montes Claros), Parque Estadual do Rio Preto (São Gonçalo do Rio Preto), Parque Estadual do Pico do Itambé (Sto. Antônio do Itambé), Parque Estadual da Serra Negra (Itamarandiba), Parque Estadual da Serra do Intendente (Conceição do Mato Dentro), Parque Estadual do Biribiri (Diamantina), Área de Proteção Ambiental das Águas Vertentes (Diamantina, Serro e outros), Monumento Natural da Várzea do Lageado e Serra do Raio (Serro), Estação Ecológica de Acauã (Leme do Prado e Turmalina), Estação Ecológica da Mata dos Ausentes (Senador Modestino Gonçalves).

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Covertura Interativa do Tour da Tocha Olímpica
http://globoesporte.globo.com/olimpiadas/tocha/cobertura.html

Postado por: Ygor I. Mendes

quinta-feira, 5 de maio de 2016

MPMG denuncia Samarco e 14 funcionários por crimes ambientais

Denúncia pede que eles sejam afastados e tenham passaportes recolhidos.
Promotor listou três crimes ambientais, dentre eles associação criminosa.


O Ministério Público de Minas Gerais informou, em entrevista coletiva nesta quinta-feira (5), emBelo Horizonte, que denunciou a mineradora Samarco e 14 funcionários da alta cúpula da empresa por crimes ambientais a respeito do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana. A tragédia completa hoje seis meses. De acordo com o promotor Marcos Paulo de Souza Miranda, a denúncia pede o afastamento dos funcionários, além do recolhimento dos respectivos passaportes. O G1 entrou em contato com a Samarco e aguarda retorno.
Os denunciados na ação são: Ricardo Vescovi de Aragão (diretor-presidente até 20 de janeiro), Kléber Luiz de Mendonça Terra (diretor de Operações e Infraestrutura até 20 de janeiro), Maury Souza Júnior (diretor de Operações e Infraestrutura após 20 de janeiro), Rubens Bechara Júnior (gerente geral de Saúde e Segurança), Márcio Isaías Perdigão Mendes (gerente geral de Meio Ambiente e Licenciamento), Wagner Milagres Alves (gerente geral de Operações de Mina), Germano Silva Lopes (gerente geral de Projetos Estruturantes), Daviely Rodrigues da Silva (gerente de Geotecnia de Barragens), Álvaro José Ribeiro Pereira (gerente de Segurança do Trabalho), João Batista Soares Filho (gerente de Desenvolvimento Ambiental e Licenciamento), Euzimar Augusto da Rocha Rosado (coordenador de Meio Ambiente), Edmilson de Freitas Campos (setor de Operações e Infraestrutura), Reuber Luís Neves Koury (setor de Operações e Infraestrutura) e Wanderson Silvério Silva (coordenador técnico de Planejamento e Monitoramento).
Seis dos denunciados estão com pedidos de prisão expedidos pela Polícia Civil de Minas Gerais por 19 homicídios, em decorrência do rompimento da barragem, dentre eles Ricardo Vescovi e Kléber Terra. A Polícia Federal também indiciou as empresas Samarco e Vale, uma das donas da Samarco, e a consultoria VogBR, que atestou a estabilidade de Fundão. Neste inquérito, sete pessoas também foram denunciadas, dentre elas, novamente, o diretor-presidente licenciado Ricardo Vescovi. Os demais nomes não foram divulgados.
Durante a entrevista coletiva nesta manhã, o promotor citou o desaparecimento de um vídeo que mostrava a movimentação de lama, em decorrência do rompimento de um dique da barragem de Fundão. Segundo Marcos Paulo Miranda, as imagens foram solicitadas à mineradora, mas não foram cedidas.
"As nossas investigações indicam que o sinistro ocorrido nos dias 16 e 17 de janeiro implicaram em uma imensa movimentação. O rompimento de um dique, chamado dique s2, que fazia parte da estrutura da barragem que havia rompido no dia 5 e sobrecarregou inclusive a barragem remanescente de Santarém. Ou seja, as vidas das pessoas residentes abaixo dessa barragem foram expostas novamente a risco", afirmou o promotor.
Medidas insuficientesO promotor de Justiça do Meio Ambiente Carlos Eduardo Ferreira Pinto, que também participou da coletiva nesta manhã, disse que as medidas da Samarco são insuficientes e que os rios continuam a ser poluídos.
"Não estamos satisfeitos. É muito aquém do que a sociedade espera. (...) As medidas são insuficientes, no que se refere ao vazamento. A poluição continua a ser lançada nos nossos rios, quer seja do ponto de vista das estruturas remanescentes e sua segurança, que ainda não atingiram um nível necessário para resguardar a sociedade. E, principalmente, na eficácia das medidas ainda insuficientes", afirmou.
Já a promotora Carolina Queiroz de Carvalho, que atua na comarca de Ponte Nova, criticou o acordo entre a União e as empresas e chamou a iniciativa de "desastrosa". O acordo assinado no dia 2 de março entre representantes dos poderes públicos federal,  dos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, além da Mineradora Samarco, teve o objetivo de criar um fundo de R$ 20 bilhões para recuperar a Bacia do Rio Doce em 15 anos. A previsão é que, entre 2016 e 2018, a mineradora aplique no fundo R$ 4,4 bilhões.
A campanha “Mar de Lama Nunca Mais”, iniciativa da Associação Mineira do Ministério Público (AMMP), em parceria com o Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Meio Ambiente, Patrimônio Histórico Cultural, Habitação e Urbanismo (Caoma), que visa a implantação de um projeto de lei que torne a fiscalização de barragens mais efetiva em Minas Gerais, alcançou mais de 13 mil assinaturas.


O rompimento da barragem de Fundão, que pertence à mineradora Samarco, cujas donas são a Vale e a BHP Billiton, afetou outras localidades de Mariana, além do leito do Rio Doce. Os rejeitos também atingiram mais de 40 cidades de Minas Gerais e no Espírito Santo e chegou ao mar. Dezenove pessoas morreram. Um corpo ainda está desaparecido. O desastre ambiental é considerado o maior e sem precedentes no Brasil.
De acordo com o promotor, os denunciados da Samarco cometeram crimes ambientais de poluição ambiental, omissão na adoção de medidas de prevenção a desastres, associação criminosa e dificultar ou impedir a atuação de órgãos de proteção ao meio ambiente.
A denúncia foi oferecida à Justiça no dia 10 de março. Marcos Paulo Miranda explicou que a ação está na Vara Federal de Ponte Nova, fixada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) como competente provisoriamente para ações a respeito do rompimento da barragem.
Os processos relacionados ao desastre estão suspensos até que o STJ julgue o conflito de competência em definitivo. Entre os processos está o inquérito da Polícia Civil, que indiciou sete pessoas por 19 homicídios, e o inquérito da Polícia Federal, que indiciou as empresas Samarco, Vale e VogBR e mais sete executivos e técnicos da Samarco e da VogBR pelo rompimento.
"Essa ação é desastrosa para a população que foi atingida, porque a União não tem nenhum bem dela, com exceção do meio ambiente em geral, atingido. Mas quando ela propõe uma ação dessas e pede que a Justiça Federal considere todos os danos englobados naquela ação, ela tira do cidadão que foi vítima a possibilidade de diálogo, e foi isso que aconteceu", argumentou Carolina.
Mar de Lama Nunca Mais
A proposta foi elaborada pela força-tarefa do Ministério Público de Minas Gerais que atua nas investigações da tragédia em Mariana. A meta é alcançar 30 mil adesões até o mês de junho. Outras informações aqui.
G1GLOBO
Postado por: Ygor I. Mendes

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Ao anunciar corte, Pimentel diz que situação de Minas é grave, mas contornável

O governador Fernando Pimentel (PT) informou nesta segunda-feira, em coletiva, que o governo de Minas fará cortes de cerca de R$ 2 bilhões nos gastos previstos para serem executados este ano. Segundo ele, o estado vive “momento grave, mas contornável” em relação à arrecadação e gastos. “Vamos nos desdobrar para que os cortes não signifiquem prejuízo para a população, do ponto de vista do serviço público”, afirmou. 

Ainda segundo ele, na próxima semana será enviado à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) projeto de lei que trata da reforma administrativa que estabelecerá fim de cargos e fusão em secretárias. O objetivo da proposta é economizar. “A máquina pública de Minas é uma das mais inchadas. É preciso que o estado caiba dentro do orçamento e hoje não está cabendo”, afirmou. Pimentel culpa gestões anteriores pelo déficit e o excesso de pessoal. 

Para o secretário de Planejamento, Helvécio Magalhães, os cortes não vão impactar serviços para a população. Ele garante que o contingenciamento não afetará os investimentos em saúde, educação e segurança pública. De acordo com a Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag), 90% do orçamento está comprometidos com despesas obrigatórias, como os gastos com saúde, educação, folha de pagamento e serviço da divida. "Então, tirando as despesas obrigatórias do estado e essas despesas que não passam pelo caixa único sobram ao estado para gerenciamento R$ 5,2 bilhões. Assim, desse total, passaremos para R$ 3,2 bilhões”, explicou.

O orçamento aprovado para este ano previa inicialmente um déficit de R$ 8,9 bilhões, com receitas estimadas em R$ 83,10 bilhões e despesas em R$ 90,02 bilhões. O estado também trabalha com a possibilidade de reduzir o comprometimento da receita com a dívida com a União, assunto que vem sendo tratado com o governo federal. No fim do ano passado, o governo mineiro aprovou lei autorizando a renegociação do débito, modificando os parâmetros, o que permitirá uma redução de R$ 8 bilhões no montante.


quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

ET de Varginha: caso completa 20 anos com mistérios e incertezas

Varginha, 20 de janeiro de 1996. Seria um dia normal na pacata cidade de 100 mil habitantes do Sul de Minas, mas o relato de três meninas mudou tudo. Elas disseram que viram um ser estranho, baixinho e de olhos vermelhos, que não parecia deste mundo. Do dia para a noite, pesquisadores e inúmeras testemunhas começaram a falar sobre o "ET de Varginha".
Surgiram mais relatos sobre criaturas e objetos não identificados, operações militares, movimentações estranhas na cidade e mortes misteriosas. O caso saiu em publicações ufológicas do mundo todo. Nesses 20 anos, muitas dúvidas ficaram no ar. Mas o certo é que a história faz parte do imaginário brasileiro e aterrorizou muita gente. Relembre os principais pontos dela:
O céu estava limpo naquele início da madrugada de janeiro de 1996. Oralina de Freitas estava no sítio que era cuidado por ela e pelo marido, Eurico de Freitas, há pouco mais de dois anos. Às margens da BR-491, as horas passavam devagar como sempre na zona rural de Varginha, até que um barulho vindo de fora interrompeu a rotina. 
Era cerca de 1h. A correria desenfreada do gado no pasto do sítio chamou a atenção de Oralina. Ela diz que, em seguida, foi ver o que se passava do lado de fora e jamais poderia imaginar o que perturbava a calmaria dos animais.
“Eu saí na janela pra olhar. [O gado] estava correndo. Aí eu avistei o objeto passando”, lembra-se, fazendo questão de contar os detalhes. “Era um objeto cinza e tinha fumaça, grande. Luz não tinha não. Sem barulho.”
Ela chamou o marido e, então, os dois ficaram observando aquilo passar por cerca de 40 minutos. “Na hora em que ela me chamou, eu estava na sala vendo televisão. [O objeto] estava muito baixo e ia baixando cada vez mais. Era comprido, do tamanho de um ônibus, com uns negócios mexendo. Cobria tudo de fumaça, uma fumaça clara”, diz seu Eurico.
O casal afirma que o objeto foi direção à Rodovia Fernão Dias e então sumiu de vista. Naquela noite, nenhum dos dois dormiu.
As datas se misturam no início dessa história atípica. Em seus primeiros relatos, o casal não tinha certeza do dia em que viram a suposta nave, já que o depoimento deles veio à tona algumas semanas após o ocorrido. Com o estouro do caso, o relato do casal se uniu à data de todos os principais acontecimentos do Caso Varginha.
Segundo os ufólogos que pesquisaram a história, os primeiros sinais de que havia algo estranho no céu de Varginha foram registrados por volta do dia 13 de janeiro. O relato de um piloto paulista em outubro daquele ano alterou o calendário da história.
Carlos de Souza descreveu que viu, na manhã do dia 13 de janeiro de 1996, um objeto com as mesmas características relatadas pelo casal. Tinha certeza da data porque seguia para o interior de Minas Gerais onde participaria de uma demonstração de voo de ultraleves com amigos. Ainda na Rodovia Fernão Dias, viu o objeto passando e aparentemente caindo em algum ponto entre Varginha e a cidade vizinha, Três Corações.
Entrou em uma estrada vicinal para ver se encontrava (e ajudava) na queda do que parecia ser um dirigível. Chegando lá, se espantou ao ver que o Exército e a Polícia Militar já cercavam os destroços daquele objeto indefinível. Pedaços cinzas do que parecia ser metal se espalhavam pelo terreno. Não viu vítimas.
Algum tempo depois, ele foi rispidamente convidado por um dos soldados a se retirar do local. Não devia falar nada sobre o que tinha visto. A ordem foi descumprida, e o relato de Souza está no livro do advogado e ufólogo Ubirajara Rodrigues e na mais recente publicação sobre o Caso Varginha, do ufólogo Marco Petit.
Uma nave teria caído na zona rural de Varginha em 13 de janeiro de 1996. Sete dias depois, a história da cidade nunca mais seria contada da mesma forma.
Na manhã de 20 de janeiro, o telefone disparou na sede do Corpo de Bombeiros de Varginha. Um "animal" estranho estaria rondando a mata que divide o bairro Jardim Andere e o Santana, e os moradores estavam assustados.
O que se sabe sobre aquele dia foi relatado por um civil e um militar da reserva para os ufólogos do caso. Bombeiros foram vistos rondando a tal mata. Logo depois, um caminhão da Escola de Sargento das Armas (EsSA) estacionou no local. A sede da escola militar fica na cidade vizinha, Três Corações.
Soldados adentram o mato como se estivessem em missão especial, segundo as duas testemunhas, que ouviram o que seriam dois tiros de um fuzil. Logo depois, os militares saíram da mata – dois deles carregando sacos grandes.
Segundo os relatos, em um dos sacos havia algo imóvel e o outro se mexia. Ambos foram colocados no caminhão da EsSA, que seguiu por um destino desconhecido. Automóveis das duas instituições teriam sido vistos no mesmo local por incontáveis testemunhas.
Na tarde daquele sábado, se desenrolou o episódio mais importante do caso. Kátia Andrade Xavier, de 22 anos, e as irmãs Liliane de Fátima Silva, de 16 anos, e Valquíria Aparecida Silva, de 14 anos, teriam visto a criatura, que ficou conhecida como "ET de Varginha", enquanto atravessavam um terreno.
G1 procurou as três mulheres, mas elas não quiseram falar sobre o caso. Em uma entrevista feita na sede da EPTV Sul de Minas em 2006, elas contaram detalhes da história.
Era por volta de 15h quando as três voltavam para casa. Iam passar pelo trajeto de sempre, mas resolveram cortar caminho por um terreno entre o bairro Jardim Andere e o Santana. Naquela época, surgia no local um novo loteamento e um campo se abria no bairro.
Quando passavam próximo a um muro, ao lado de uma oficina, as irmãs ouviram a amiga Kátia dar um grito. Olharam na mesma direção que ela e viram uma criatura agachada. Com o grito, ela virou a cabeça para as jovens e as encarou por alguns segundos.
"Era marrom, a cor. Era baixinho. Estava agachado, mas era baixo. Eu tinha a impressão que era uma coisa assim muito mole, que dava a impressão que ia estourar, com a pele lisa e os olhos vermelhos, que olhou para nós. Foi coisa assim, rápida, de você bater o olho e falar, é assim e pronto. E é isso. Mas não tinha como ser humano, nem ser um animal”, descreveu Kátia na entrevista.
As irmãs disseram que havia umas manchas parecendo veias na pele e algumas protuberâncias na cabeça. “Estava com as mãos no meio das pernas, braços bem finos, os olhos eram duas bolas vermelhas. Um homem ou um animal não era, de jeito nenhum”, afirmou Valquíria.
Após encarar a criatura por alguns segundos, as três saíram correndo desesperadas. Ainda olharam mais uma vez para trás e a criatura continuou como estava. Elas seguiram para a casa das irmãs. A mãe delas estava em uma loja vizinha e correu para encontrar as meninas. “Aí eu falei: ‘Mãe, eu vi o capeta’”, relatou Liliane. “Aí ela disse: ‘Se ele apareceu para vocês, vai aparecer para mim também’”.
Com Kátia, a mãe das meninas voltou ao local da aparição não mais que 25 minutos depois. Não encontraram mais nada, apenas uma marca no chão, um cheiro horrível que não souberam descrever e um cachorro farejando o local. Um pedreiro que trabalhava próximo ao terreno teria dito que os bombeiros já tinham levado “aquele bicho estranho”. Com medo de ficar, elas foram embora dali o mais rápido que puderam.
No final da tarde daquele 20 de janeiro, um forte temporal inesquecível para a maioria dos moradores atingiu a cidade. No meio dessa chuva, dois policiais à paisana se encharcavam enquanto tentavam fechar o vidro do carro, que estava com defeito. A dupla da Inteligência da Polícia Militar estaria em missão no entorno do Jardim Andere. Eles deviam observar qualquer movimento estranho que se desenrolasse no local.
Após a chuva, Marco Eli Chereze passou em casa com o parceiro para trocar a roupa molhada. Avisou a família que iria retornar tarde pra casa. A noite deveria ser longa.
A família do policial não foi encontrada para falar sobre o assunto. O que se sabe desse episódio está nos livros dos três principais ufólogos do Caso Varginha.
Por volta das 20h, o carro dos policiais seguia pela Rua Benevenuto Braz Vieira – a mesma onde as meninas teriam visto o ET – quando o parceiro freou bruscamente. Algo estranho teria passado diante do veículo. Chereze saiu para tentar capturar o que quer que fosse aquilo. Sem preparo, teria pegado a criatura sem usar luvas ou qualquer tipo de equipamento de segurança.
A criatura foi colocada no banco traseiro do veículo e levada para um posto de saúde da cidade, que não quis recebê-la. Em seguida, os policiais foram para o Hospital Regional de Varginha. Supostamente, uma ala da instituição permaneceu isolada assim que recebeu a criatura.
Durante os dias que se seguiram após 20 de janeiro, moradores e funcionários dizem ter visto uma grande movimentação de carros do Exército, dos Bombeiros e viaturas nos dois hospitais da cidade, o Regional e o Humanitas. A criatura teria sido transferida de um para o outro, onde também uma ala teria sido isolada por cerca de dois dias, até que o que estava ali foi removido do local.
Os representantes das instituições sempre negaram qualquer envolvimento com o caso e, à época, apresentaram argumentos estranhos para a movimentação do Exército e bombeiros no local – que foram desde a exumação de um corpo que precisou de “vários legistas e um cortejo de oficiais” até o parto de uma mulher anã.
Ufólogos acreditam que ao menos duas criaturas foram capturadas naquele dia, mas cogitam a possibilidade de mais seres, já que a movimentação do Exército teria sido percebida mesmo antes do dia 20, como relatado por testemunhas que viam comboios da instituição entre Varginha e Três Corações, além da nave caindo na região.
De Varginha, os seres teriam sido levados para a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde também teriam ficado isolados em um setor do campus. A universidade nunca confirmou a história.
Marco Chereze morreu no dia 15 de fevereiro de 1996, aos 23 anos de idade. Segundo consta no livro de Rodrigues, logo após a captura, o policial se submeteu a uma cirurgia com um médico militar para remover um pequeno abscesso. Em seguida, ele teria tido febre e reclamado de dores em diversas partes do corpo.
O soldado passou por dois hospitais e, após ficar internado por alguns dias no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Bom Pastor, não resistiu e morreu de um processo infeccioso generalizado (sepse), mas se desconhece o que teria causado esse quadro.
G1 conversou com um dos médicos que tentou salvar a vida de Chereze, o cardiologista Cesário Lincoln Furtado. Segundo ele, ao ser internado em estado grave, foram feitos todos os exames possíveis, mas a equipe não chegou a nenhum diagnóstico. “Eu e outro médico demos os dois melhores antibióticos que tinham na época, e ele não melhorou nada. Era como dar água com açúcar”, afirma Furtado.
Num primeiro momento, o exame do Instituto Médico Legal (IML) não apontou a causa da morte. Com os resultados dos exames, o laudo final de Chereze diz que ele morreu em consequência de uma pneumonia, com um quadro de infecção generalizada e ainda detectou bactérias relativamente benignas, segundo Furtado, que são comuns. Por outro exame, foi detectada ainda uma imunodeficiência no paciente.
O resultado da imunodeficiência mais conhecida, a AIDS, deu negativo. “As bactérias detectadas no exame eram sensíveis aos antibióticos, mas ele não reagiu, esse é que é o grande detalhe”, afirma Furtado. O sistema imunológico do paciente desaparecera, mas nunca se soube o que teria causado isso, já que nenhum vírus ou outra causa foi detectada nos exames da época.
Hoje com 60 anos, 35 deles dedicados à medicina, Furtado afirma que já viu isso antes, mas é uma situação raríssima. “Talvez tenha visto isso uma ou duas vezes na vida”, diz. Para ele, é uma incógnita que talvez a ciência possa um dia responder.
Na cozinha de sua casa, a bióloga Leila Cabral passa o café enquanto puxa na memória os eventos que se desenrolaram 20 anos atrás. Recentemente aposentada, naquela época ela trabalhava no Zoológico de Varginha e, como muitos moradores, guardou os detalhes daquele dia atípico.
O que ela se lembra da data em que as garotas teriam visto a criatura foi a forte tempestade que atingiu a cidade. Estava no clube com os filhos e, assim que a água passou, resolveu passar no zoológico para ver o que tinha acontecido com “os seus bichos”.
“Quando eu cheguei, o Nelson, que era porteiro, me disse: ‘Dona Leila, o Corpo de Bombeiros veio aqui com um bicho muito esquisito e eles falaram que iam entregar só pra senhora’”, lembra. Os bombeiros já tinham ido embora, e então Leila disse: “Nelson, se for uma coisa importante, eles voltam.”
Não voltaram e, no dia seguinte, por toda cidade já se falava na suposta aparição de algo de outro mundo. Mas eventos que se seguiram algumas semanas depois tornariam todo o caso mais estranho ainda. De fevereiro a abril daquele ano, alguns animais começaram a aparecer mortos no zoológico.
“Eles começaram a morrer de um jeito muito estranho. Simplesmente morriam. Não tinha explicação plausível. Uns cinco animais morreram”, enumera.
Após as mortes, ela e o veterinário do zoológico fizeram necropsias nos animais e enviaram amostras para exame. Um laboratório em Belo Horizonte (MG) detectou uma substância tóxico-cáustica não identificada. Para a morte dos animais, também não havia explicação.
O veterinário Marcos Mina, hoje diretor do Zoológico de Varginha, confirma as informações e ainda acrescenta que na necropsia foi detectada um enegrecimento na mucosa do estômago e intestino dos animais. Chegou-se a cogitar um envenenamento, mas como nada foi detectado, descartou-se essa possibilidade.
Segundo ele, morreram espécies de veado catingueiro, anta e jaguatirica. “O problema foi esse. Eles tinham os mesmos sintomas na necropsia, mas eram animais de espécies diferentes e que se alimentam de formas diferentes. Ficavam em lugares diferentes [no zoológico]. Também não deu bactéria [no exame], então é isso que deixa complicado o negócio.”
Para ele, talvez pudessem ter sido feitos exames mais aprofundados sobre o caso, mas não havia condições para isso. Ele também afirma que, por ele, o caso nunca foi vinculado ao ET de Varginha. Foi algo que aconteceu após a suposta aparição no local .
Leila apena destaca a sua falta de respostas para as mortes. “Não sei se é extraterrestre, mas algo estranho aconteceu. Não tenho provas científicas [do que aconteceu]. Para eu ter um parâmetro, eu tenho que usar o que a ciência me oferece. Como eu não tenho parâmetro... (risos). Como eu explico pra você [essas mortes]? Eu não tenho da onde tirar explicações, não dessa ciência que eu conheço. Esse é meu ponto, só”, finaliza a bióloga.
Procurado, o Exército Brasileiro afirmou que “determinou a abertura de processos investigatórios sobre o fato nos anos de 1996 e 1997. Tais procedimentos resultaram na instauração de um Inquérito Policial Militar (IPM), o qual foi encaminhado, naquela ocasião, à Auditoria da 4ª Circunscrição Judiciária Militar, em Juiz de Fora/MG. O assunto foi encerrado com a conclusão do IPM.”
No inquérito, entre as explicações para o fato, está a de que o "ET de Varginha" seria, na verdade, um rapaz com problemas mentais, conhecido como “Mudinho”, que morava próximo ao local onde a criatura foi vista e às vezes ficava agachado na rua. Ele tem uma cabeça maior que o normal e teria sido confundido com um extraterreste. As meninas negam qualquer semelhança.
O Exército acrescentou ainda que “não há documentos que tratem sobre assuntos de Ufologia nos arquivos do Exército Brasileiro”. O G1 tentou contato com o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar de Minas Gerais, mas não obteve retorno sobre o assunto.
O ufólogo Ubirajara Rodrigues procurou a mulher e as duas meninas que teriam visto a criatura no dia seguinte ao ocorrido. A história se espalhou pelo país, e diversos veículos de imprensa, além de pesquisadores, procuraram as meninas por meses seguidos.
Ainda na entrevista para a EPTV Sul de Minas, há 10 anos, as mulheres relatam que cerca de 4 meses após o ocorrido, cinco homens foram até a casa das irmãs, por volta das 22h, e as teriam feito uma proposta para que negassem o caso.
“Queriam que a gente desmentisse o que viu em frente a uma câmera. Pagariam pra gente”, contou Liliane. Não foi citado um valor, mas segundo elas, “com esse dinheiro daria pra gente sair do Brasil”. “Nós ficamos com medo”, continuou Liliane. “Mas nem cogitamos aceitar a proposta.”
Ainda segundo elas, após o ocorrido, os homens as pressionaram com telefonemas e chegaram a seguir a mãe de Liliane e Valquíria. Para evitar que algo pior acontecesse, elas resolveram falar na televisão sobre o que estava acontecendo, e a perseguição terminou. Elas não têm ideia de quem eram essas pessoas.
Com a repercussão do caso, a vida das meninas se transformou. Foram vítimas do assédio dos curiosos e jornalistas e também o alvo de chacotas sobre o caso.
Na entrevista para a EPTV Sul de Minas, Liliane contou que teve que sair da escola e parar de sair de casa, o que foi horrível para a ainda adolescente na época. “Pra gente nunca foi bom [o caso]”, afirma.
Kátia, que estava grávida à época, acabou entrando em depressão com a possibilidade afirmada por alguns ufólogos de que ela poderia estar carregando o filho da criatura. Sofreu toda a gravidez com medo de que a filha não nascesse normal. No final, também acabou se separando do marido. Por tudo isso, evitam falar no caso.
Por telefone, Valquíria disse ao G1 que o caso só trouxe aborrecimentos para ela e a irmã e que não gostaria de voltar no assunto. Kátia também não quis dar entrevista, mas disse que sabe o que viu naquele dia e se sente mal por toda as consequências ruins que o caso trouxe para a vida de todas.
Durante todo esse tempo, as três meninas nunca afirmaram que a criatura seria um extraterrestre. Não definem o que era, porque dizem que não sabem o que viram. Nas incontáveis entrevistas que deram sobre o caso, sempre relataram os detalhes da mesma forma. Nunca negaram o caso.
Neste janeiro de 2016, Eurico e Oralina voltaram ao local onde tudo começou. Hoje têm 61 e 57 anos, respectivamente. Desde 2008, não trabalham mais no sítio. Às margens da rodovia, onde se avista a propriedade, os dedos de Oralina percorrem o mesmo caminho que o objeto fez em seu trajeto.
Em 1996, não imaginavam o que seriam extraterrestres. Eurico se refere aos ufólogos como “os que sabem disso”. “Eu não acreditava não, porque eu nunca tinha visto isso. Eu acreditei depois que eu vi”, completa. Oralina continua afirmando que só pode confiar no que seus olhos viram. “O povo não acredita. Mas quem não vê não acredita. Só acredita quem vê.”